A-internetO relatório “State of the Internet”, elaborado pela empresa Akamai, revelou que a velocidade média da internet brasileira é de 3,4 Mbps, dando ao País o 89º lugar no ranking mundial. O índice fica abaixo da média mundial (5 Mbps) e de vizinhos como Argentina, Chile e Uruguai.

O resultado nos preocupa, considerando que o Brasil é a sétima maior economia do mundo e que o acesso de qualidade à internet é um componente essencial de qualquer infraestrutura produtiva atualmente.

Por que nossa conexão deixa tanto a desejar se comparada, por exemplo, à da Coreia do Sul (que foi a primeira colocada no estudo da Akamai, com média de 23,6 Mbps)? Segundo Tamusiunas, a internet do país asiático é “outro mundo” em comparação com a nossa, por uma série de motivos.

A conexão de qualidade é um aspecto bastante importante da cultura da Coreia do Sul. Tanto que o governo estabelece várias metas audaciosas de velocidade às quais as operadoras locais precisam atender para seguir oferecendo serviços. Existem também políticas de incentivo fiscal para que o preço dos planos se tornem mais acessíveis aos consumidores.

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O país também tem uma densidade populacional considerável, é bastante urbanizado, possui grandes indústrias e um sistema de ensino muito bom. Esses fatores, aliados aos incentivos do governo, contribuem para formar uma população bastante exigente com os serviços de rede, exigências que as operadoras precisam atender para se manter funcionando.

Além de investir na infraestrutura de rede do país, o governo também facilitou a entrada de empresas que desejavam investir neste setor, pois criara um ambiente de competição acirrada que beneficiou o desenvolvimento da rede no país.

E, segundo Tamusiunas, isso ajudou a diminuir o preço para o consumidor. “Uma vez que a infraestrutura já está criada, esse custo deixa de existir, e o preço fica mais barato”, diz. Ele comenta também que as operadoras chegam a oferecer planos de 1 Gbps por lá, e o governo tem planos de, até 2020, levar as operadoras a oferecer planos de 10 Gbps.

Aqui no Brasil, por sua vez, esse investimento em infraestrutura não foi tão considerável. Grande parte das capitais do país está passando pelo processo de cabeamento por fibras, que permite às operadoras oferecer planos mais rápidos nas regiões onde a fibra chega. O processo, no entanto, ainda é relativamente lento.

Além disso, trata-se também de um investimento considerável. Segundo Tamusiunas, alguns dos equipamentos de rede necessários para se amadurecer a infraestrutura precisam ser importados, e chegam ao Brasil pagando quase 100% do valor de custo em impostos. Além de dificultar o desenvolvimento da infraestrutura, esse valor acaba sendo frequentemente repassado para os consumidores, dificultando, também, a implementação da infraestrutura em regiões menos urbanizadas, e acaba contribuindo para a perpetuação das desigualdades de acesso à rede que existem entre as regiões do país. Uma revisão dos tributos que incidem sobre esses equipamentos poderia, portanto, ajudar a acelerar a modernização de nossa rede.

Mas ainda dá tempo de resolver o problema. Tamusiunas se lembra da história de um grupo de provedores na região oeste de Santa Catarina que se uniram em um consórcio para custear a passagem de cabros de fibra óptica pela região. Com isso, conseguiram oferecer a todos os seus clientes conexões de 10 Mbps pelo mesmo preço que eles antes pagavam por 2 Mbps.

Algo da competição que acontece entre as empresas sul-coreanas também está começando a aparecer em algumas das regiões brasileiras. “Quando a Tim começou a oferecer planos de fibra com velocidades muito maiores que as da Vivo por preços semelhantes, a Vivo precisou correr atrás também”, comenta.

A Akamai é uma empresa americana de serviços na nuvem e possui uma rede de servidores espalhados pelo mundo. Ela aluga espaço nesses servidores para clientes que desejem acelerar o funcionamento de seu site. Muitas brechas aindas são encontradas

Com relação à internet móvel também abordada pelo estudo da Akamai, o Brasil ficou na 82ª posição do mundo, com uma média de 2,5 Mbps, dessa vez atrás de Venezuela e Paraguai – algo curioso, já que a média de velocidade das conexões fixas desses países estava entre as piores da América Latina.

A própria tecnologia das redes 3G e 4G no entanto, segundo Tamusiunas, ajuda a explicar essa distorção: “quanto mais gente acessa a rede móvel pela mesma torre, pior o serviço”. Nesse caso, portanto, o que pode acontecer é que, como a porcentagem das populações da Venezuela e do Paraguai que têm acesso a essas redes é pequena, a velocidade da conexão, para esses usuários, é bastante boa.

Fonte: Olhar Digital

Publicado por Ascom

Assessoria de comunicação da empresa VirtualLink.