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Desde o anúncio da inusitada parceria entre as empresas Microsoft, (gigante corporativa responsável pelo Windows, Office, Xbox e diversos outros produtos) e a Canonical, que é responsável pela distribuição de Linux Ubuntu, entre outros produtos baseados no mesmo, o mundo open source encontra-se em burburinho.

Historicamente, a Microsoft sempre foi vista como uma vilã por muitos usuários Linux. Acredito que estes cidadãos imaginavam que Bill Gates (que já se afastou da companhia a tempos) passava o dia de terno preto, sentado em uma escritório panorâmico traçando planos para acabar com o Linux e todo o software livre.

Já a Canonical também não é das mais bem vistas pelos usuários mais radicais, devido a suas políticas de parceria com a Amazon, fornecendo dados de pesquisa dos usuários de Ubuntu e utilizando estes metadados para oferecer publicidade como parte dos resultados de pesquisas.

O fato que é que o esforço colaborativo de ambas irá trazer para o Windows 10 o Windows Subsystem for Linux, ou WSL.

Basicamente o WSL vai incorporar o shell do Linux ao Windows, possibilitando alguns comandos como sed, vi, find e gcc sejam executados nativamente no sistema operacional da Microsoft. Antes de mais nada, devemos entender o papel do Windows no fluxo de caixa atual da Microsoft.

No passado, licenças de Windows eram sinônimo de lucro e a sustentação da base financeira da empresa, assim com o pacote Office. Porém, nos últimos anos, a escala se mostra bastante diferente. O crescimento da nuvem, com serviços como Azure e Office 365 tornaram-se o carro chefe do faturamento, seguidos pelos Xbox.

Em seguida, vem o pacote Office e só então o Windows, responsável por cerca de 10% do fluxo de caixa.

Claramente as diversas parcerias, como com instituições de ensino e fabricantes de hardware sacrificaram uma parcela dos lucros para manter a dominância do mercado.

Mas se a maioria dos computadores e notebooks ainda roda Windows, para que a Microsoft precisa atrair novos usuários?

Há longínquos 15 anos no passado, uma estação de trabalho Windows era o básico para a maioria dos desenvolvedores. As tecnologias disponíveis na época, como Delphi e Visual Basic, assim como os a predominância de aplicativos para desktop, amarravam o desenvolvedor ao Windows.

O crescimento da Internet, e de seus sistemas hospedados na nuvem, fizeram emergir novas tecnologias, diferentes das anteriores e não mais dependentes do Windows. Ninguém depende de determinado sistema operacional para programar em Ruby, Java ou php.

Como se não bastasse, o boom do Docker nos últimos dois anos mostrou como os containers tem a possibilidade de tornar obsoletos os sistemas de virtualização.

O primeiro computador de sucesso da Apple, o saudoso Apple II tem boa parte do seu sucesso creditado a um aplicativo de planilhas chamado VisiCalc, que era uma espécie de Excel da época.

O VisiCalc foi o primeiro exemplo de Killer App da história. Um Killer App é um software capaz de impulsionar as vendas de determinado equipamento. Este exemplo é muito utilizado pela industria dos games, lançando um jogo popular de maneira exclusiva para vender determinado console.

O que esta história nos ensina? Quem um aplicativo pode determinar o sucesso de uma plataforma inteira.

Quem faz estes aplicativos? Os desenvolvedores, claro.

Como muitos destes desenvolvedores foram ao longo dos anos migrando para sistemas OSX ou Linux, a Microsoft ligou um sinal de alerta. Identificou que precisava de uma forma para os desenvolvedores se sentirem novamente confortáveis no Windows.

Recapitulando, o Windows é responsável por apenas 10% do faturamento da Microsoft e nos últimos anos, diversos desenvolvedores migraram para sistemas OSX e Linux devido as ferramentas rodarem melhor (ou exclusivamente) nestes sistemas. O objetivo no WSL é atrair esses desenvolvedores de volta para o Windows pois um sistema operacional depende dos aplicativos para manter seu ecossistema.

Fonte: Blog.Fábio Rodriguez

Publicado por Ascom

Assessoria de comunicação da empresa VirtualLink.