Celso-AmorimO Ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira que o Brasil vive uma situação de vulnerabilidade em relação à segurança e proteção de dados, comunicações e outras informações que circulam no País. Amorim participou de uma audiência pública no Congresso, ao lado do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general José Elito, para esclarecer denúncias de espionagem feita pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil.

Segundo Amorim, os dados considerados sigilosos são protegidos por meio de criptografia, mas há outros pontos vulneráveis nas trocas de informações feitas no Brasil. “A situação que nos encontramos hoje é de vulnerabilidade. Por mais que tenhamos proteção da informação sigilosa através da criptografia, a mera detecção de quem se comunica com quem, a frequência, o tipo de contato, já é informação de valor analítico para qualquer eventual adversário que venhamos a ter”, afirmou Amorim.

Outro problema, de acordo com o ministro, é que todo o arsenal de segurança usado pelo Brasil para proteger os dados nacionais são de fabricação estrangeira. Além disso, o País usa satélites geoestacionários para basear toda a comunicação feita em solo nacional e daqui para outros países, que também são gerenciados e produzidos por outros países. Por isso, ele defende mais investimentos no setor e parceria com outros órgãos – como o Ministério de Ciência e Tecnologia – para acelerar a construção de um satélite brasileiro.

“As comunicações são feiras de um satélite que não é brasileiro, não só na construção e tecnologia, mas também no seu gerenciamento, o que torna ainda mais vulneráveis a comunicação. O que investimos hoje na defesa cibernética ainda é relativamente pouco. O que investimos é ¼ do que investe o Reino Unido nesse setor. É um começo para quem não tinha nada, mas é relativamente pouco. O orçamento de 2013 é pouco menos de R$ 100 milhões”, disse o ministro.

O ministro defende o aumento dos recursos disponíveis para a pasta, mas admitiu que outras prioridades estão sendo aclamadas pela população, como foi percebido pelas manifestações que tomaram conta das ruas do País durante 20 dias. Segundo Amorim, é compreensível que os investimentos nesta área fiquem em segundo plano quando a sociedade pede outras prioridades, como saúde e educação.

Surpresa
Mesmo admitindo a fragilidade brasileira no sistema de defesa das informações, Amorim disse que esta não é uma peculiaridade brasileira. Segundo ele, países com sistemas de proteção mais sofisticados que o brasileiro, como Alemanha e França, também se surpreenderam pela amplitude e volume de informações captadas pelos Estados Unidos. “Um ex-secretário da Defesa dos Estados Unidos disse que estavam sujeitos a um ‘Pearl Harbor’ cibernético. É algo complexo de resolver de um dia pro outro”, disse.

Referência: Notícias Terra

Publicado por Ascom

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